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Iluminando o amor com as Constelações Familiares

É difícil partilhar o que quer que seja sobre a abordagem das CF. Não só pela multiplicidade de tramas e enredos familiares que toca, mas ainda mais porque tal só é possível se quem nos ouve ou lê, sem ter passado pela experiência, está aberto ao mistério. Ainda assim, aqui deixo algumas das ideias que se destacaram das reflexões a que me votei antes de começar, este mês, a formar pessoas nesta escola de vida que, primeiro nos desconcerta e, depois, nos conserta.


Desconcerta–nos porque passando pela experiência das CF compreendemos que vivemos sob a influência de intricadas forças que, manifestando-se de maneira oculta no seio familiar, nos envolvem em morte na infância ou mesmo na idade adulta, lançando-nos na depressão (e outros males emocionais ou comportamentais), anorexia ou bulimia, dependências, cancro, suicídio, acidentes, etc..


Conserta-nos porque, ao votarmo-nos ao processo de desvendamento que constitui uma CF, emerge, entre muitas outras coisas, como nos é fácil acreditar, infantil e inconsciententemente, termos poderes de vida e de morte e arvorarmo-nos em salvadores dos membros da nossa família movidos por um amor que jamais imaginámos ser tão cego e total. Reconhecendo, vendo, inteirando-nos do que estava oculto, a luz que irrompe de uma CF incita-nos desde logo a assumir a responsabilidade do nosso próprio destino que é apanágio do adulto.


Algumas das dinâmicas sistémicas que nos aprisionam assentam no pensamento mágico de que posso oferecer-me em sacrifício para poupar alguém. Caso: morro em vez da minha mãe que, irresistivelmente puxada para “seguir” a mãe dela que morreu cedo, tentou já suicidar-se… A CF torna-nos conscientes do amor cego que nos condiciona, e, assim, leva cada um a ocupar o seu lugar por inteiro, reconhecendo e respeitando com amorosa distância os outros (vivos ou mortos) que, experimentando iguais esplendores e misérias, ocupam o lugar que lhes compete. E o lugar do filho/a, quando ocupado devidamente, é o de quem recebe e se reduz à sua (real ) pequenez perante os que directamente lhe deram a vida e perante a cadeia de antepassados que passaram a vida, de geração em geração, desde a noite dos tempos, até ter chegado a sua vez de ser dado à vida.


Para exemplificar, mesmo que de maneira redutora, pois a única que o não é consiste em passar pela experiência lenitiva da CF, aqui revelo um outro aspecto que constitui igualmente um fardo venenoso para aquele que o carrega no seu sistema familiar: achar a morte de alguém próximo um facto discutível. Caso: se a minha irmã mais nova tivesse ouvido os meus conselhos (comido melhor, vivido melhor, escolhido melhor) não teria tido cancro e morrido. Quem assim argumenta, regra geral, vê-se impedido de fazer o luto devido à intensidade da recriminação e, passando a opor-se com arrogância inconsciente à inexorável corrente da vida, acaba também, frequentemente, por ficar doente.

 

Iluminar o amor é a proposta fulcral das Constelações Familiares. Se se sente preso/a em emaranhados familiares que, aparentemente, parecem ter que ver com falta de amor, desconfie. Asseguro-lhe que é mais provável que esteja a sofrer de excesso de amor ou até mesmo a morrer de(por) amor.

 

Siga o meu conselho: consulte sem demora um constelador perto de si.

 

Viver Saúde

ANO XI N.º44 - Mai/Jul-2011

 

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