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Satori Darshan
Caminhada de Cura
A minha caminhada de cura
Em Maio de 1996, após anos de sofrimento físico e mental, foi-me diagnosticado um tumor benigno no fígado, a que acrescia uma vesícula com uma patologia séria. A operação durou 7h e o pós-operatório foi terrível: tive uma pneumonia, um derrame pleural e várias zonas da costura infectadas levaram meses a fechar. Seguiu-se uma depressão profunda. Percebi que não estava escrito morrer, por mais coisas que me acontecessem e por mais que eu o desejasse. Então, tentei melhorar, pois a ideia de ter pela frente para aí mais quarenta anos sem nenhuma qualidade de vida não era nada tentadora. A resposta da psicoterapia foi que sofria de depressão genética e que teria de tomar um anti-depressivo diariamente - "o que não tinha importância, pois era como qualquer outro doente (p.e. um diabético) que necessitasse de uma terapêutica diária", diziam os médicos. As dores nas costas de que sofria há anos, apesar de menos intensas devido ao melhor funcionamento do fígado, atormentavam-me. As alergias prostravam-me. O refluxo gástrico originado por me terem provocado uma dobra no duodeno durante a operação era controlado por um medicamento matinal dia sim dia não. Começava a ter um síndroma vertiginoso de vez em quando...Não tinha nenhuma força anímica...
Em Novembro de 1998, por sugestão de um amigo, fui receber um tratamento de Reiki. Após o tratamento disseram-me que podia fazer um curso e ficar apta a fazer auto-tratamento. Nem quis acreditar! E eu que pensava tratar-se de um "dom" que abençoava apenas uns quantos mortais! Dois dias depois lá estava eu.
Apesar dos ensinamentos teóricos terem sido nebulosos, senti que tinha recebido uma benção e que agora a minha cura só dependia de mim pois estava de posse do mais poderoso instrumento para a alcançar. Lembro-me de pensar: se funcionou para os outros, vai funcionar para mim!
Aliás, funcionou logo. Dias antes do curso fora à ginecologista e esta mostrara-me no ecrã um ponto negro no útero. Quando fui queimar o dito polipo duas semanas mais tarde, já não estava lá nada.
Desatei a fazer Reiki durante 3 e 4 horas por dia, ás vezes até 6 e mais. Fui sentindo mudanças. Estava mais calma, tinha mais força anímica, controlava as dores das costas. Continuei. Comecei a experimentar diminuir as doses do anti-depressivo. Sentia-me bem. Acabei com ele de vez. Reparei que nunca mais tivera crises alérgicas: condenei os anti-histamínicos à gaveta dos medicamentos eventuais. Síndroma vertiginoso? Nunca mais.
Em Março propuseram-me fazer o nível II. Fiquei surpresa. No curso do nível I fora dito que para ser aceite no II tinha de se apresentar um caderno que comprovasse um trabalho assíduo de tratamentos a outros. Fui. Ainda mais surpresa fiquei ao ver que estavam lá pessoas que só esporadicamente tinham feito auto-tratamento. Não quero lembrar como decorreram os dois dias do curso: houve manipulação, artes cénicas e intolerância. Tentei encontrar desculpas… Ainda hoje tento…
Parti em busca do Reiki. Li, li, li. Experimentei, experimentei, experimentei. Já começava a sentir o impulso de tratar outros. Comecei a perceber que não precisava de ter uma saúde de ferro para ser um óptimo canal de cura, o que fora insinuado no curso.
Descobri que havia um outro sistema de Reiki, fundado por uma americana: Diane Stein. Identifiquei-me com a maior parte do seu método. Não se tratava de uma declinação monótona dos fundamentos do Reiki como a que encontrava na maior parte dos livros e manuais que consultara. Era uma abordagem que fazia sentido e resultava de muito estudo e investigação. Era iconoclasta e desmitificadora. E era, sobretudo, generosa, esclarecida e transparente.
De qualquer modo, continuei a não ousar sequer pôr a hipótese de fazer o nível III. Até por não vislumbrar como poderia vir a fazê-lo, tanto por não ter na época disponibilidade financeira para me deslocar ao estrangeiro - não conhecia ainda em Portugal outros Mestres - como pela quantidade de "regras" e "selecções" a que sabia vir a estar sujeita se encontrasse um novo Mestre, já que a minha não ensinava esse grau.
Entretanto, o refluxo gástrico também desaparecera e reparei que não me constipara nem tivera as anginas de caixão à cova habituais todos os anos.
Continuava, no entanto, com os 20 quilos que ganhara depois da operação. E tinha muita pena. E percebia que teria de olhar mais fundo dentro de mim, mas ainda tinha medo. Acho que tinha medo de ver quão imperfeita e ignorante era espiritualmente e que isso me trouxesse uma nova e mais grave fonte de insegurança e medo. Até porque se a insegurança neste plano me trouxera peso a mais e doenças, que me poderia trazer a insegurança nesse nível superior de consciência? As penas do Inferno que as freiras do Colégio onde estudei me pintavam? Pior ainda?
O Universo encarregou-se de resolver a questão. No fim de Maio fui fazer a ecografia anual de controlo do fígado. Havia alguma coisa. Talvez pudesse ser tecido novo que crescera no sítio do corte. Dali a um mês fiz uma ressonância magnética. E só por duas vezes me fui abaixo. Comentário da minha melhor amiga: "seja lá o Reiki o que for, não deixa de ser fantástico, pois se isto te estivesse a acontecer antes, tu tinhas-te enfiado na cama e de lá nunca mais saías".
À saída da ressonância, a médica foi categórica: é sim, é alguma coisa, só não sei se é a mesma coisa. A biópsia seria dali a um mês. Revivi o filme de há três anos. E resolvi que ia receber Reiki e depois logo se veria.
Recebi tratamentos de Reiki de 7 pessoas em simultâneo durante uma semana - agradeço-vos no meu coração muitas vezes -. Na segunda semana, já as coisas eram imprevisíveis. A minha Mestre deixou de estar presente durante os tratamentos, sem qualquer explicação. Eu não sabia, mas o meu caminho até ao nível III já se iniciara. Encontrava-me a receber a preparação necessária para adquirir vibração consentânea com esse patamar mais elevado no Reiki.
Senti durante esse tempo que Deus estava comigo e em mim. Chorei todas as minhas dores e pedi: "Meu Deus, que eu faça uma TAC e se veja claramente que se trata de tecido novo e já não seja precisa a biópsia. Cura a minha saúde e deixa-me pôr ao serviço dos outros as muitas capacidades de ensino que me deste (ensino desde os 17 anos) e a minha condiçõo de curadora com Reiki. Se me dotaste de tantas capacidades foi para eu as usar em benefício dos outros. Restabelece a minha saúde e eu trabalharei para curar a minha vida. Se me conduziste até ao Reiki, se me deste essa benção, foi para eu lá chegar, eu sei, mas estou tão assustada que por vezes duvido. Perdoa."
E dizia o mesmo dirigindo-me a Jesus, sabendo que Ele, que sempre surgia na minha mente durante os tratamentos, sobretudo sob a forma do Seu Sagrado Coração, melhor compreendia a minha fragilidade e humanidade. Dizia-lhe: Perdoa as minhas dúvidas, mas também Tu perguntaste - "Pai, por que me abandonaste?".
Um dia saí do Centro para nunca mais voltar. Sentia que o amor de Deus por mim era misericordioso e essa certeza fazia-me não mais aceitar que insinuassem que a doença era o castigo de culpas claras ou obscuras que se carregam, além de certos cenários folclóricos e da verborreia incoerente.
Pouco depois fiz a TAC e Deus concedeu-me o que Lhe pedira: viu-se claramente que era tecido novo. Pouco depois decidi fazer análises, certa de que os resultados seriam incríveis. E foram. Em oito coisas em que tinha no ano anterior entre 10 e 20 pontos acima do limite, os valores estavam todos ou normais ou dez pontos abaixo do limite.
Agradeci as muitas bençãos e percebi a extensão do compromisso que assumira ao tornar-me praticante de Reiki e que não mais poderia recuar. Percebi também que a maior responsabilidade de alguém que, como eu, perdera o contacto com a sua verdadeira essência, era reencontrá-la, era rencontrar-se. Melhor, percebi que fora por isso - para isso?- que ficara tão doente. E trabalhei, trabalhei, trabalhei. Fiz o maior exercício de perdão - a mim e aos que me feriram - e de mudança de padrões de pensamento que se pode imaginar. E emagreci 12 quilos.
De repente, comecei a sentir-me inquieta. Queria fazer o III nível de Reiki, tinha de o fazer, precisava de o fazer. Era apenas o desejo de ter o conhecimento que me permitiria consolidar o meu trabalho de transformação, nada mais.
Inesperadamente, a possibilidade de o fazer foi-me dada. Aproximei-me de um stand na Feira do Oculto de um tal Monte Mariposa que ficava em Tavira. E só me aproximei pela referência a Tavira, visto a minha família paterna ser de lá. E descobri que lá se praticava o Reiki Essencial de Diane Stein. Uma semana depois, lá estava. Não posso descrever a emoção que senti durante a iniciação. O facto de a estar a receber provava que eu era alguém muito especial para o Pai. Daí para a frente as minhas feridas de falta de amor cicatrizaram. Como poderia eu, além do mais, ousar não me amar intensamente, desmesuradamente? Sim, porque se Deus me ama, quem sou eu para ter a pretensão de não me amar, de me julgar com mais conhecimento e argúcia do que Ele? Como posso pretender que conheço melhor as minhas zonas de sombra do que Ele?
Voltei a Lisboa pensando que jamais conseguiria iniciar alguém. Voltei pensando que poderia agora incentivar mais pessoas a fazer Reiki e que poderia tratar pessoas mais sistematicamente. E assim fiz. Mas duas semanas mais tarde, depois de um novo Seminário, ousei pensar em iniciar os que me estavam mais próximos. E fi-lo. E a exaltação que senti foi tal que, ainda não sei bem como, dei por mim a não poder resistir ao impulso de iniciar mais e mais pessoas.
Nos primeiros dois meses iniciei 34 pessoas ao nível I, 7 ao nível II e, last but not least, o primeiro curso que dei foi um curso de nível III a três pessoas que tinham recebido os dois primeiros níveis junto comigo pelo método dito Tradicional.
Hoje, mais de um milhar de iniciações mais tarde, mantenho o mesmo encantamento da primeira hora em relação à benção que é ser canal de Reiki. Ainda choro de emoção quando, em palestras ou cursos, conto o meu percurso. Outras terapias como as "Constelações Familiares" e "O Resgate da Criança Interior" têm vindo até mim fazendo-me crescer, sujeitando-me a elas primeiro, e depois partilhando-as na qualidade de terapeuta com os meus alunos que, por terem uma energia próxima da minha, precisam das mesmas ferramentas que eu para viverem mais plenos e mais felizes. O Reiki é, no entanto, sempre a base de sustentação e, quase sempre, a porta de entrada de um caminho de encontro connosco mesmos e com a nossa verdadeira essência. Fico muito feliz por serem tantos os que me dão o privilégio de os acompanhar durante a jornada. Sinto enorme amor e gratidão por eles pois são "anjos" que me são enviados e porque são eles que me permitem que eu cumpra a minha missão de vida. Alguns estão comigo desde a primeira hora e são já Mestres e Terapeutas responsáveis e com qualidades raras: honestidade para com eles mesmos e o seu percurso de cura, coragem, determinação e perseverança na maneira como o perseguem e grande sentido de responsabilidade que lhes dá a consciência das diferentes facetas da "mediação" que lhes está cometida. Mas, sobretudo, é com o maior orgulho que vejo como aprenderam ao longo da formação contínua que ministro, através da repetição ilimitada gratuita dos diferentes níveis e da participação nos grupos de curas bi-mensais também gratuitos, a respeitar o paciente e o seu ritmo de cura, sem jamais adoptarem atitudes de "eu sei qual é o teu problema porque os "Mestres" mostraram-mo!", atitudes violentadoras e nocivas para ambos, pacientes e terapeutas, e que denotam uma necessidade de afirmação e obtenção de poder e amor através do acto de cura, atitude que só pode ser adoptada por pessoas que conhecem mal o processo e o timing da cura com Reiki por não se terem sujeitado a ele suficientemente antes de começarem a exercer. Que tremenda arrogância não querer sujeitar-se a um processo de cura profunda quando se pretende vir a exercer! Essas são talvez as maiores virtudes do ensino que preconizo: acompanhamento constante e discussão de temas relacionados com o exercício da profissão a que acresce treino técnico-prático.
Enche-me também do maior orgulho a crescente autonomização de muitos dos meus alunos, ao fim de alguns meses de caminhada comigo, já capazes de utilizar as ferramentas de cura em si mesmos, cientes dos próprios mecanismos emocionais e espirituais que os limitavam sem disso estarem conscientes anteriormente. E enche-me ainda do maior amor, orgulho e gratidão ver quantos, por vezes em muito pouco tempo, se encontram hoje mais felizes e realizados do que alguma vez imaginaram ser possível virem a estar, construindo novas vidas porque assentes em novas verdades internas, reveladas ou descobertas consoante os casos. Muitos desses resumem assim a caminhada, da maneira mais simples e por isso mesmo talvez a mais eloquente: o Reiki mudou a minha vida!
Para concluir, sinto que falta ainda acrescentar que sei que não foi nenhum Mestre vivendo neste Planeta que me escolheu para fazer de mim Mestre. E sei mais. Sei que os que fazem de mim Mestre de Reiki são os que vêm a mim para quer eu os ajude a fazer o caminho do Reiki que é o "Caminho do Coração" como lhe chama o Mestre alemão Walter Lubeck.

