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Livro lançado a 8 de Maio
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Este é o livro sobre Reiki por que ansiávamos: um ensaio-novela-diário de viagem onde nos são revelados muitos dos segredos semi-abertos do Reiki.
A informação fidedigna sobre o Reiki original reencontrada no Japão nos anos 90 chegou ao Ocidente através de múltiplas fontes e escapa, assim, à maioria dos três milhões de praticantes de Reiki. Tendo-se debruçado, com rigor académico, sobre essa informação teórica e técnica ao longo de anos de prática profissional, a autora cruza-a, à medida que avança no texto, com o enfeudado, e por vezes distorcido, manancial do Reiki Tradicional ocidental onde começou a sua jornada de cura e de ensino, pulverizando assim a falsa crença de que o Reiki original se perdeu nos conturbados tempos do Japão do pós-guerra.
Efectivamente, a repressão americana exercida sobre as Artes de Cura genuinamente japonesas, após 1945 - dado radicarem estas na mesma misteriosa tradição espiritual onde teria florescido o arrasador belicismo japonês - levou o Reiki a fechar-se em estilhaçados redutos no país onde foi legado à humanidade. Daí se ter pensado que só sobrevivera a herança ocidental de Hawayo Takata, preciosa, sem dúvida, mas pecando por distorções várias e contextualização inexacta do Reiki, que a sua ingrata posição de americana de origem japonesa residente no Havai explica e valida.
No centro desta vívida narrativa está um curso de Jikiden Reiki, o sistema que Hayashi ensinava em 1928, apenas dois anos após a morte de Usui, que a narradora faz em Quioto. A peregrinação interior, pontuada por estados de transcendência partilhados com o leitor, vai-se desdobrando ao sabor de episódios originais e surpreendentes que, impregnadas de cultura, história e tradição, constituem a peregrinação real em Quioto e Tóquio. Trata-se de um fascinante relato que nos leva do riso à emoção, sempre com o encanto da partilha genuína, e onde a vivência diária do Reiki pela autora-narradora, tão natural como a sua respiração ou o pulsar do sangue nas suas veias, nos convida a penetrar nos mistérios do crescimento espiritual e da expansão da consciência com que o Reiki, garantidamente, brinda aqueles que mergulham na sua Luz.
Este é um ângulo invulgar de descobrir e aprofundar o Reiki. Apreendemo-lo através de uma viagem pessoal que liga culturas, que nos faz viver a história, a energia, levando-nos até ao coração do Reiki. A narrativa é uma forma poderosa de envolvimento. Não somos apenas leitores curiosos, vivenciamos e transformamo-nos. Sentimos a magia porque mágico é tudo o que nos leva a atingir novos patamares de conhecimento e cura. É uma ligação com as origens, com os mestres, é luz de caminho.
(João Caldeira)
Aprendi muito com seu livro, querida Darshan. E gostei muito também. Você é uma excelente narradora e memorialista. É um relato delicioso e emocionante tanto de sua viagem ao Japão quanto dos caminhos que tem percorrido na busca do autoconhecimento. Fez com que crescesse ainda mais a admiração que tenho por você. Incrível essa sua capacidade de ter realmente renascido, de ter surgido em um novo ser, disposto a viver uma vida nova. Mas, ao mesmo tempo, e o texto revela isso, tendo sabido preservar o humor e a acuidade de percepção que a caracterizavam na vida anterior. Acho que será muito bem recebido pelo público. Parabéns.
(Antônio Briquet de Lemos)
Fiquei de tal maneira ao ler este livro que andei, às voltas, às voltas, buscando algo de especial para escrever e pura e simplesmente só sinto vontade de chorar, nada mais. É assim mesmo ... não há palavras para exprimir o que sinto perante tanta beleza, sabedoria e Amor. Fiquei até hoje com a lágrima sempre ao canto do olho e um nó na garganta. Kanshashite, querida Darshan. Que os anjos velem sempre para que o seu sono seja tranquilo e renovado e o amanhecer uma festa constante para que continue a irradiar os seus inúmeros talentos e a sua qualidade única de terapeuta e de guia e, assim, ajudar a transformar muitas vidas como fez com a minha...
(Naveena Cristina Oliveira)
Que incrível viagem de sentidos e sensações a querida Darshan nos proporciona neste livro. Há paixão nesta viagem; há sede de viver, de descobrir verdades, de desmistificar mitos e de encontrar a raiz desta que é a mais sublime das terapias: o Reiki.
(Vera Xavier)
Satori Darshan - Reiki sobre Reiki. 1ª ed: Ariana editora, Maio 2010. ISBN 978-989-684-001-3
Excertos do livro
Kami no michi. Reiki no michi
Caminhando com a intenção de subir até à célebre zona dos Cedros de nodosas raízes entrelaçadas, deparo-me com um tosco banco de madeira na borda do caminho. Parece chamar-me. Atendo o seu chamado. Sento-me com movimentos de câmara lenta. Os meus pés assentam em folhas secas. Olho em frente e não posso dizer que tenha vista. Do banco apenas se vislumbra uma densa vegetação entretecida pelo meio da qual os raios de sol desbravam caminho. À medida que vou como que absorvendo o que vislumbro com a respiração e o olhar, vou-me esvaziando mais e mais. Penso, por um segundo, em Usui. Ele pode ter olhado exactamente para esta mesma extensão de árvores… Também Usui desaparece da minha mente. A minha mente ela própria começa a desvanecer-se. Nada. Silêncio. Nenhum visitante passa no caminho por trás de mim ou, se passa, não me apercebo disso. Imóvel. Respirando quase imperceptivelmente. Eternizo-me assim sentada em silêncio, desaparecida numa comunhão com o que está fora de mim que põe fim à costumada dualidade Eu /o resto. O assim consumido Eu separado dá lugar a um puro amor. Puro como o ar que se respira em Kurama, como a energia que aqui nos envolve e penetra. Sou cristalino amor. Amo as árvores e o céu e o sol e a sombra e as pedras e as folhas caídas e o banco. E amo-me incondicionalmente a mim. Lágrimas de amor-alegria correm-me pelas faces. A alegria de me esvair em amor. Estava ali antes a que olhava e respirava e agora essa desapareceu. Só permaneceu o olhar e a pópria respiração. Quem olhava e respirava já não está ali.
Faço força com os pés no chão do Salão de Chá. Respiro fundo. Não posso esvaziar aqui a mente ao ponto de repetir, efectivamente, a experiência por que passei há pouco. Há gente a conversar…Tenho de pagar. Olho para o relógio. É meio-dia. Sim, tenho de me pôr a caminho. Não lamento ter deixado de visitar os Cedros, nem aquele onde Mao-son terá encarnado, nem o Templo que assinala o lugar onde ele desceu de Vénus há mais de seis milhões de anos. Pego no saco das compras e na mala. Estranho o peso desta. Lembro-me de como abandonei o banco onde a Luz do vazio me devolveu o meu rosto original em Kurama. Invadida pelo Saber Maior que acompanha a Meditação profunda, lembro-me de olhar atentamente o chão, como se jamais me tivesse sido dado ver o que lá vi: terra, folhas, agulhas de pinheiros, pedras. Só uma frase eccoou dentro de mim: É isto Kurama. Antes de poder avaliar o gesto, dei comigo a enterrar as mãos na terra. Deixei-me penetrar pela sua energia desfrutando as sensações que me provocava ao espalhar-se por todo o corpo. Em seguida, como se não me pertencessem, elas começaram a pegar nas folhas e nas pedras e na terra. Interroguei-me. A resposta veio pronta. Peguei no saco de plástico branco que envolvia o outro contendo as compras e enchi-o com as folhas e as pedras e a terra. O caminho das pedras. O caminho do Reiki: Reiki no michi. Pedra sobre pedra. Reiki sobre Reiki.
(páginas 128 e 129)
É o vinte e dois!
É uma sensação estranha saber de cor quase todo o texto e olhar para os caracteres gravados em baixo-relevo na pedra sem os conseguir decifrar. Pergunto a Yasuko se consegue ler alguma coisa, já que se trata de japonês antigo. Começa a ler. A meio, conclui: Consigo perceber cerca de 80%. Fico profundamente surpreendida. Porque assim vi sugerido algures nas leituras que fiz, quer sobre a tradução do memorial quer sobre a dos poemas do Imperador Meiji, imaginava que para um japonês abaixo dos 70 anos o sistema ortográfico dos finais do séc. XIX e da primeira metade do séc. XX era impenetrável. O contacto com as coisas, através do filtro da visão de quem delas nos fala, sem podermos nós avaliá-las directamente, fica sempre tão aquém da totalidade dos significados que elas encerram de facto em si mesmas!
A minha guia, agora transformada em tradutora, a meu pedido, vai-me dizendo o que consegue consegue decifrar do texto do memorial:
- Quem estuda muito para melhorar o corpo e a mente e ser um homem melhor pondo-se ao serviço dos outros é um “Mestre”. Usui ensinou a muitos o caminho do Reiki e tratou-os.
Yasuko demora algum tempo a ler para si mesma e, depois, num esforço de síntese retoma:
- Nasceu a 15 de Agosto... hesita no cálculo do ano pois as indicações das datas remetem para períodos. Na realidade, o que ela lê é - primeiro ano do período Keio, chamado Keio Gunnen. Eu ajudo:
-1865.
-Sim, deve ser por aí, aquiesce. Diz o nome dele, Mikao, não é?, e o dos antepassados. Também cá está o nome da mãe e do pai. Era bom aluno. Viajou, para estudar, no Ocidente e foi à China. Trabalhou muito, mas um dia teve pouca sorte. Reagiu...
Interrogo a minha amiga, impaciente:
- O que diz exactamente sobre o Reiki?
A minha improvisada tradutora, explica-me que tenho de lhe dar tempo. Afinal, está a traduzir de Japonês antigo para japonês moderno e, depois, para inglês. Asseguro-lhe que sei o que custa. Também eu leio textos medievais e do Renascimento em português antigo...Pode levar o tempo que for preciso. Eu vou tomando notas...Continua:
- Foi ao Monte Kurama e fez retiro de 21 dias com jejum e meditação. No fim, sentiu o Reiki na cabeça. Primeiro tratou-se com Reiki e depois tratou a família. Abriu uma clínica em Harajuku em...
Hesita de novo. Mais uma vez, eu sei a data:
- 1921, em Tóquio.
- Sim, em Tóquio, confirma. Tratou muitas pessoas e deu cursos também.Agora tens de esperar um pouco. É muita informação...Houve um tremor de terra e ele tratou muita gente ferida. Ficou conhecido em todo o Japão e foi a lugares distantes. Em Fukuyama, morreu.
Adivinho que anda de novo às voltas com as datas e ajudo-a:
- De enfarte, a 9 de Março de 1926. Com 62 anos.
Olha-me surpreendida. Esclareço-a:
- Sempre fui boa a memorizar datas. Nos meus anos da Literatura sempre soube as datas da publicação de muitos livros. Ainda hoje sei, mais ano menos ano.
Yasuko sorri-me. Adivinho que aprecia conhecer alguém que teve uma vida cheia antes de chegar ao Reiki. É como se pensasse que alguém que esteve tanto no Mundo, envolta em sucesso e intelectualidade, e acabou por dedicar a sua vida ao Reiki é alguém em quem ela pode confiar para descobrir esta arte de cura que no seu meio sócio-cultural é visto como coisa de gente ignorante...
Não perdendo o Norte, focalizada na tarefa que lhe compete, pede-me mais um momento, e pouco depois, continua:
- Casou e teve uma filha e um filho. O filho tomou conta dos negócios quando Usui morreu.
Pára uma vez mais, movimentando a cabeça à medida que vai lendo para si mesma. Fala de maneira fragmentada:
- Usui era boa pessoa...saudável...sorridente...corajoso. Sabia muitas coisas.
Interrompo-a:
- Isso é importante. Ele estudou muitas disciplinas. O que é que diz aí, exactamente?
-Estudou Medicina, Psicologia, Adivinhação e várias religiões. Por isso soube desenvolver o Reiki.
Pára, como se retomasse o fôlego. Espero, deleitando-me com estas pausas. Permitem-me saborear o prazer único de estar perante o Memorial de Usui e ter quem me diga o que lá está. Nem acredito no quanto sou abençoada! Yasuko vira-se para mim e diz:
- Continuando. Vamos lá a ver...O Reiki cura doenças, desenvolve capacidades que já temos, harmoniza a alma. Torna-nos felizes. O Reiki tem mandamentos?
Pergunta olhando na minha direcção.
- Não, respondo prontamente, tem regras de bem viver a que chamamos princípios.
Então é isso:
- Para ensinar aos outros, tens de seguir os cinco princípios do Imperador Meiji no teu coração. Deves dizê-los todos os dias, uma vez de manhã e outra à noite:
Só por hoje
Não te zangues
Não te preocupes
Sente gratidão
Trabalha bem
Sê bom para os outros
O objectivo é compreender o antigo método secreto para alcançar a felicidade e, assim, curar as doenças. Com estes princípios vais ter o estado da mente tranquila dos antigos. Para fazeres Reiki, começa por ti mesmo e não uses a cabeça.
Senta-te em silêncio de manhã e à noite com as mãos juntas. Segue os princípios e o teu coração. O Reiki está dentro de nós mesmos e por isso é para todos!
Com cautelas de profissional (afinal é professora de Inglês e tem de traduzir coisas com muita frequência), previne-me:
- Estou a sintetizar muito. Mas o principal está lá. Isto é muita coisa...Mas é interessante para mim, também.
Vamos acabar:
- Usui ensinou mais de 2000 pessoas. Se o Reiki se expandir no futuro vai curar a Terra inteira. Os discípulos de Usui foram abençoados por receberem o Reiki e poderem transmiti-lo aos outros. O Reiki vai expandir-se muito e até longe no futuro.
Comenta:
- E expandiu-se mesmo. Por isso estás aqui.
Saboreio a justeza do comentário. Yasuko continua:
- Muitos dos alunos de Usui juntaram-se aqui para construir este memorial aqui neste Templo Saihoji. Pediram-me que escrevesse isto para manter viva a sua grande obra. Sinto-me honrado. Espero que muitos venham a compreender o imenso serviço que Usui prestou ao mundo.
Esta inscrição foi escrita por Juzaburo Ushida, Fevereiro, 1927.
(páginas 156 a 161)
